adoração

Eruditos, teólogos, místicos discorreram sobre adoração. Sempre vamos encontrar especialista disposto a prescrever receitas do modo certo de adorar. Adoração é uma prática cultual comum a todas as esferas onde existem seres que pensam. É o pólo magnético de todos os cultos e religiões. Não há religião sem um ser adorado e criaturas que o adoram. A adoração é a mais significativa parte da liturgia do culto nos vários credos existentes no mundo. Nos cultos pagãos os deuses não interagem com os homens. Por meio de sacrifícios, até de pessoas, os adeptos tentam contactar com o sobrenatural. Até mesmo no Judaísmo, a adoração ao Senhor não era espontânea. A motivação dos adoradores judeus estava no Sinai, o Monte que tremia, fumegava, emitia relâmpagos. Essa santidade terrível obstruía a visão do Deus que Jesus ordenou-nos chamá-Lo de Pai, o Deus definido como Amor. No paganismo a adoração é por coação, medo de castigo. No cristianismo somos atraídos pelo amor do Pai e pelo amor de Jesus Cristo que por amar-nos morreu por nós.

Onde adorar.

Todos os povos possuem um lugar sagrado onde adoram seu deus. Praticamente todas as ruínas e algumas construções que restaram de antigas civilizações são de templos ou construções a serviço do culto. A Samaritana, em conversa com Jesus, tocou no tema: “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar” (João 4.20). Jesus não indicou um lugar sagrado para a adoração. Isso não é prioridade para Deus. Os lugares passam. “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.” (João 4.21). O Lugar, portanto, não é o componente mais importante da adoração. Para o adorador, o mais importante é o Ser adorado. Para o Ser adorado, o mais importante é o adorador.

Quem deve ser adorado.

Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4.10 b). O Senhor é adorado nos céus, por todas as hostes angelicais. Na terra por seus filhos. Até os que estão debaixo da terra o adoram (Filipenses 2.10).

Satanás não deve ser adorado.

Ele sempre quis ser adorado. Sem dúvida seus anjos rebeldes o adoram sob coação. Adorar sem amar o objeto da adoração é tão degradante quanto as orgias das prostitutas cultuais. Chamado de “o deus deste século.” (II Coríntios 4.4), exercendo domínio sobre os “filhos da desobediência” (Ef 2.3), Satanás perdeu seu domínio sobre a terra quando sugeriu que Jesus o adorasse (Mateus 4.9,10).

Recebeu adoração e morreu.

Herodes Antipas II (At 12.23). Os reis da antiguidade, como os césares, os imperadores chineses eram venerados como deuses. Faraó, no tempo de Moisés, era cultuado, porque os egípcios acreditavam ser ele filho de um deus. Ao confrontar-se com o verdadeiro Deus, recebeu idêntico castigo do seu escravo, morte do primogênito.

Caos na adoração.

De todas as expressões de culto, a mais atacada por Satanás é a adoração. Veja esta escritura: “Certo dia os filhos de Deus vieram se apresentar perante o Senhor, e veio também Satanás com eles” (Jó 1.6). Algumas versões dão a ideia que “os filhos de Deus” eram anjos, outras parecem falar de homens. Anjos ou homens, a verdade é: Era uma reunião de adoradores. Satanás travestido de adorador estava lá. Só Deus sabia quem ele era. Perguntou-lhe: “De onde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.” (Jó 1.7). Depois de seu giro turístico pelo mundo, Satanás despe-se de sua camisa colorida e veste a sóbria túnica de adorador. Observem a sutileza do enganador. Estava camuflado. Por ser imortal, o Enganador atravessou o tempo e chegou nalgum lugar. Ele está infiltrando-se, ainda hoje, nas congregações. Sua preferência é o altar da adoração. Que devemos fazer?

Templos para adoração.

Atentemos para esta palavra: “Mas vem a hora e já chegou, em que OS VERDADEIROS ADORADORES adorarão o Pai EM ESPÍRITO e EM VERDADE; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (João 4.23). A hora chegou. Jesus mudou tudo que se refere à adoração. Excluiu lugares. “Nem neste Monte (Gerizim), nem em Jerusalém” (João 4.21).

Imaginem essa declaração. Os judeus idolatravam o templo, onde adoravam. Também os samaritanos tinham Gerizim como lugar sagrado para adoração. Para eles as palavras de Jesus eram sacrilégio, blasfêmia. Onde então adorar? “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14.23). Ver I Co 3.16,19). A mudança atingiu o templo, lugar onde a adoração a Deus era através de uma liturgia complexa, cheia de aparatos, desfile de levitas, sacerdotes, sumo sacerdote, sacrifícios de animais, incensos…esmero de profissionais de religião. Jesus profetizou contra o templo: “Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada” (Mc 13.2 b). Caiu o templo. Mas a demolição não acabou. O azorrague para expulsar cambistas voltou contra a liturgia sem Deus; vazia, abominável. Os celebrantes foram expulsos. Fugiram…

A verdadeira adoração. Depois da Reforma realizada por Jesus, Deus é adorado assim:

O único santuário onde o Senhor é adorado é no coração daqueles que pela regeneração tornaram-se filhos de Deus. A adoração no Templo-homem- regenerado não se celebra com rituais espetaculares e vazios, mas com a essência da VERDADE e ESPÍRITO procedentes de Deus

Para reflexão. Na celebração da Ceia do Senhor recebemos uma porção do Corpo de Cristo, representada pelo pedaço de pão. Na celebração dos verdadeiros adoradores, cada um leva, dentro de si, a pessoa inteira de Deus. Na Trindade, três pessoas formam um só Deus. Na celebração dos adoradores, cada adorador leva a plenitude de Cristo em seu santuário interno. Todos, que vivenciam a Koinonia formam um só corpo: O CORPO DE CRISTO…

Por Eli Dias de Melo